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O
que é Segurança Alimentar?
As primeiras leis que regulamentavam a gestão dos
recursos alimentares pelos governantes surgiram há
mais de um século, para prevenir doenças e
evitar mortes provocadas pelos alimentos. Hoje, a segurança
alimentar é um dos direitos assegurados aos consumidores
na protecção da saúde, e veicular informação
a esse respeito é um importante contributo para uma
vida mais saudável.
Para se falar de alimentos seguros devemos enquadra-los
sob diversos pontos de vista:
-
Higio-Sanitário - não conterem microorganismos
nocivos ou outros contaminantes que coloquem a risco a saúde;
-
Nutricional - satisfazer as necessidades energéticas
de cada etapa da vida;
-
Cultural - ser adequados às diferentes comunidades
locais; regra geral, a cultura alimentar de um povo traduz
as relações entre o que a terra oferece, o
clima possibilita, a história legou e o que o ser
humano necessita;
-
Ambiental - a produção do alimento,
os métodos agrícolas, o processamento industrial,
o transporte e as próprias embalagens de consumo,
devem assegurar o respeito pelo ambiente;
-
Acesso -
devem ser possíveis de obter por todos, não excluindo grupos
de população, por exemplo, estarem afastados dos centros de
distribuição ou terem fracos recursos económicos.
Logo, falamos de segurança alimentar quando está
assegurada a qualidade nutricional e higio-sanitária
dos alimentos, quando estes são adequados às
características físicas, sociais e culturais
das populações e quando o consumidor está
bem informado relativamente ao alimento que consome.
Doenças Transmitidas por Alimentos
A Organização Mundial de Saúde (OMS)
define, doença transmitida por alimentos, como sendo
de natureza infecciosa ou tóxica, causada pelo consumo
de alimentos ou água. Estas doenças podem
ser provocadas por agentes:
-
Biológicos - por exemplo os microorganismos
como as bactérias, fungos, vírus e parasitas;
são os responsáveis mais comuns por este tipo
de doenças, denominadas toxi-infecções
alimentares.
-
Químicos - como os produtos de limpeza e
desinfecção, metais pesados, pesticidas e
fertilizantes;
-
Físicos - por exemplo pela presença
de um pedaço de palha de aço, lasca de madeira,
vidro, cabelo ou insecto no alimento.
O risco de ocorrer uma toxi-infecção alimentar
depende de vários factores, nomeadamente, o tipo
de microorganismo patogénico, o número de
microorganismos ingeridos e da susceptibilidade do consumidor.
Existem grupos de risco mais elevado, logo mais susceptíveis
- crianças, grávidas, idosos, pessoas com
doenças crónicas e pessoas cujo sistema imunitário
esteja debilitado.
Os sintomas de uma toxi-infecção alimentar
são variados, podendo incluir dores de cabeça,
vómitos, diarreia, dores abdominais, febre, fadiga
e mesmo perturbações do sistema nervoso (visão
e fala), dificuldade em respirar, septicemia ou meningite,
aborto ou parto prematuro e, em situações
extremas, a morte.
A maior parte das toxi-infecções alimentares
dura cerca de algumas horas ou dias, embora se verifiquem
casos em que os efeitos se prolonguem durante semanas ou
mesmo anos.
Mas nem todos os microorganismos são todos prejudiciais
ao nosso organismo pelo que, são considerados microorganismos
úteis ou benéficos. Estes existem por toda
a natureza e alguns são mesmo utilizados para produzir
alimentos, como é o caso do iogurte, queijo, cerveja,
pão, entre outros.
Para que os microorganismos se desenvolvam têm que
estar reunidos alguns factores que favoreçam a sua
proliferação nos alimentos:
-
Tipo de Alimento - os microorganismos desenvolvem-se
preferencialmente em alimentos ricos em proteína
animal, como a carne, aves, peixe, ovos, leite e seus derivados.
Estes são considerados alimentos de alto risco.
-
Humidade / Actividade da Água - quanto maior
for a quantidade de água num alimento, maior é
a probabilidade de se desenvolverem microorganismos patogénicos.
-
Temperatura - a zona de perigo, aquela em que os
microorganismos crescem e se desenvolvem mais rapidamente,
situa-se entre os 5ºC e os 65ºC, embora a temperatura
mais favorável seja aproximadamente 37ºC. As
temperaturas inferiores a 5ºC atrasam ou inibem o seu
desenvolvimento, mas só com temperaturas superiores
a 100ºC (ebulição), durante algum tempo,
é que a maioria dos microorganismos são eliminados.
-
Tempo - os microorganismos necessitam de tempo para
se multiplicarem, desta forma, quanto mais tempo tiverem
maior será o perigo de acontecer uma toxi-infecção
alimentar.
-
Acidez -
o pH indica o grau de acidez ou alcalinidade de um alimento.
É um factor que varia numa escala de 0 a 14.0. O risco maior
verifica-se em alimentos com um pH neutro ou ligeiramente
ácido (entre 4.6 e 7.0). É o caso da água, carnes, peixes,
aves e produtos lácteos.
-
Oxigénio - existem dois tipos de microorganismos:
aeróbios, que necessitam de oxigénio para
se desenvolverem nos alimentos (são os mais comuns),
e anaeróbios, que crescem e se multiplicam na ausência
de oxigénio (um exemplo é a bactéria
responsável pelo Botulismo, que se desenvolve em
alimentos enlatados, fumados ou curados de forma inadequada).
Podemos classificar as toxi-infecções alimentares
em dois grandes grupos:
-
Infecção Alimentar - provocada pela
ingestão de alimentos contaminados por microorganismos
patogénicos, que se multiplicam em quantidade suficiente
para provocar doença. O período de incubação
é geralmente longo (24 horas).
Ex.: Salmonella, Shigella, Listeria...
-
Intoxicação Alimentar - provocada
pela ingestão de alimentos contaminados por substâncias
tóxicas (toxinas) produzidas pelos microorganismos
nos alimentos. O período de incubação
é geralmente curto (algumas horas).
Ex.: Staphylococcus, Escherichia coli, Clostridium botulinum...
-
Toxi-Infecção Alimentar - Situação
intermédia ou mista, que surge quando há ingestão
de alimentos contaminados por microorganismos patogénicos,
que por sua vez produzem as suas toxinas no interior do
organismo humano.
A maior parte das situações de contaminação
dos alimentos, seja em estabelecimentos de restauração
colectiva, seja em ambiente doméstico, devem-se a
incorrecta manipulação dos alimentos e má
aplicação do calor e do frio.
As fontes de
contaminação são muito diversificadas,
conforme mostra o quadro seguinte:
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