| Desta freguesia fazem parte
dois núcleos populacionais antigos - Lugar d’Além e Vale Nogueira.
Recentemente, muitos outros núcleos têm vindo a surgir nos limites
desta freguesia. Dada
a existência de vestígios de civilização muçulmana, pensa-se
que terá sido fundada por mouros. O próprio nome tem origem
árabe. Vem de “caniça” que significa “templo de cristãos”.
O povo diz que vem de “caneca” e que foi El-Rei D. Dinis quem
“batizou” esta terra.
Conta-se que andando El-Rei D. Dinis à caça, terá passado
nesta povoação, onde pediu que lhe dessem água para matar
a sede. Uma mulher da terra, trouxe-lhe uma caneca de fresca
água de nascente, que o rei apreciou muito. Como gratidão
por este gesto da mulher, quis o monarca que a terra se ficasse
a chamar Caneca. Só mais tarde é que passou para Caneças.
Graças à relação que as gentes de
Caneças estabeleceram com a capital, veio esta terra a ser
local preferido, pela classe média de Lisboa, para veranear.
Os canecenses prestavam serviços aos
lisboetas, vendiam-lhes as hortaliças e os frutos, a “criação”,
o queijo, o leite e a água, “boa para curar anemias e indisposições
de estômago e intestinos”.
Até meados do século XIX, Lisboa era
uma cidade suja, afetada por numerosas epidemias. Os cidadãos
ricos pagavam aos Aguadeiros, entre os quais os de Caneças,
para lhes levarem água a casa. Caneças e as suas águas eram,
então, muito apreciadas pela sua qualidade.
Lisboa era o grande mercado para a
água de Caneças, o que motivou o aparecimento
das fontes - Fontainhas, Castanheiros,
Piçarras, Passarinhos, Castelo de Vide, Fonte Velha, Fonte
Santa e Fonte do Ouro, que comercializaram água e que constituem
um marco de uma época e de modos de vida caraterísticos da
freguesia, e em sentido mais lato do concelho. A venda da
água de Caneças fazia-se através de carroças ou galeras, que
transportavam para Lisboa e arredores a água em bilhas de
barro, juntamente com as trouxas de roupa das lavadeiras e
produtos hortícolas.
Em terras de Caneças se exploraram
nascentes cujas águas foram conduzidas até à Mãe de Água Nova,
em Carenque e, daí, até Lisboa, pelo Aqueduto das Águas Livres.
A noroeste da povoação, as mães de água
indicam os locais de captação e as condutas mostram o caminho
que a água percorria, até ao seu destino.
O terramoto de
1755 causa grandes estragos na região mas leva também a que
muitos lisboetas se venham fixar na zona, à procura de ares
mais saudáveis. Talvez por isso, e na esperança de cura, aqui
tenha procurado repouso Cesário Verde, que residiu durante
algum tempo, no Lugar d’Além, antes de se transferir para
o Paço do Lumiar, onde veio a falecer. (conheça outras
personagens que passaram por Caneças).
Quanto à evolução administrativa,
a povoação existe desde 1719. A criação da freguesia dá-se
no dia 10 de setembro de 1915, desmembrada da freguesia de
Stª. Maria de Loures. Foi elevada à categoria de vila em 16
de agosto de 1991.
O seu orago é São Pedro.
Bibliografia: "Odivelas
Uma Viagem ao Passado" de Maria Máxima Vaz
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