| Famões e Ramada
contam histórias muito semelhantes. Partilharam no
passado, uma Atividade agrícola intensa. A existência
de numerosas quintas e casais (Quinta do Alvito, Quinta do
Cegolim, Casal de S. Sebastião, Quinta das Pretas D'El-Rei,
Quinta das Dálias, e muitas mais), denuncia bem essa
caraterística. Aí se cultivavam cereais, oliveiras,
laranjeiras, se apascentavam rebanhos e se criava gado vacum.
O primitivo casal que deu nome à freguesia, com a designação
de Famões, era no século XV, pertença
da Gafaria de Almada (hospital de leprosos).
As caraterísticas do solo e
as condições climatéricas deram uma relativa
unidade económico-social a toda esta área.
A produção de cereais
exigia lugares de concentração, para a tarefa
de debulha, as eiras.
Malhado e limpo nas eiras, ficava o
trigo preparado para ser moído. A corrente, precipitada
e impetuosa no inverno, da ribeira de Caneças, os ventos
fortes e constantes, na Primavera e no Verão, que sopravam
no planalto, possibilitaram o aproveitamento da força
da água e do vento, transformando-a em força
motriz. Junto à ribeira, instalaram-se dezasseis azenhas
e, das colinas da Amoreira ao planalto de Famões, ergueram-se
para cima de três dezenas de moinhos de vento.
Com o fim das chuvas invernais, diminuía
o caudal da ribeira, baixando a capacidade das azenhas, precisamente
quando os ventos começavam a soprar mais fortes, aumentando
a capacidade motriz dos moinhos.
Desta intensa labuta restam hoje as
ruínas de algumas azenhas e moinhos, três moinhos
restaurados, o das Covas, na Ramada (que foi construído
em 1884), outro na Arroja, que é propriedade privada
e outro situado na Freguesia de Famões - Moinho da
Laureana, onde hoje funciona um núcleo museológico.
Marcado por enormes crateras, parte
do território desta freguesia, reflete a importância
das pedreiras do Trigache, cuja Atividade é descrita
nas Memórias Paroquiais de 1758: "Junto a este
lugar de Trigache há duas notáveis pedreiras,
vulgarmente chamadas do Trigache, donde se tem tirado para
vários templos e edifícios não só
da Corte, mas de todo o Reino, e ainda atualmente se tiram
admiráveis pedrarias, umas brancas tão claras,
que depois de lavradas e brunidas, parecem de jaspe, outras
vermelhas e outras mescladas de branco e vermelho, que depois
de brunidas parecem pintadas". Foi destas pedreiras que
saiu a pedra para a reconstrução da cidade de
Lisboa aquando do terramoto de 1755.
Em termos administrativos, a Freguesia
de Famões, desanexada da Freguesia de Odivelas, foi
criada no dia 25 de agosto de 1989 e elevada à categoria
de vila no dia 19 de abril de 2001.
O seu orago é a Nossa Senhora
do Rosário.
Bibliografia: "Odivelas
Uma Viagem ao Passado" de Maria Máxima Vaz
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