| No Convento do Carmo
existe uma lápide que foi levada, em 1870, de Odivelas,
pelo Arquiteto Possidónio da Silva. Essa inscrição
é um documento precioso, para esta freguesia e a prova
da sua antiguidade. Nela se pode constatar que o primeiro
pároco desta igreja foi João Ramires, o qual
faleceu no ano de 1183, da era de Cristo. A inscrição
está em latim e datada da era de César, que
nós já revertemos, aqui, para a de Cristo.
O arquiteto Gustavo Marques, que descobriu
esta lápide, é de opinião que o padre
João Ramires terá sido um dos guerreiros que
veio com D. Afonso Henriques em 1147, para conquistar Lisboa.
Se assim for, Odivelas terá oito séculos de
história.
A estrutura do povoado medieval ainda
hoje está perfeitamente visível. Duas ruas o
constituíam - partindo da igreja, na Rua Direita, hoje
Rua Guilherme Gomes Fernandes, vinha encontrar-se com a Rua
Esquerda, hoje Rua Alberto Monteiro, no Cruzeiro.
Em frente à Igreja, fechavam
o circuito. O povoado desenvolveu-se em torno da
Matriz e terá crescido, posteriormente,
em direção ao Mosteiro de S. Dinis, junto do
qual se regista um aglomerado de pequenas habitações,
testemunho de outras, suas ancestrais.
A atual Igreja Matriz é o resultado
de sucessivas reconstruções. No século
XVII, sofreu obras que lhe deram a estrutura que tem hoje,
reconhecendo-se que recebeu beneficiações e
arranjos significativos, no século XVIII.
Na área desta Freguesia houve
muitas quintas que, sendo inicialmente de nobres e do clero,
mudaram de donos, ao longo dos séculos, até
acabarem em lotes de terreno para construção
urbana. Confrontado com a povoação, e todas
próximas, havia a Quinta de Vale de Flores, que foi
do Rei D. Dinis, a Quinta da Memória que, no século
XVII era propriedade do Arcebispo de Braga, D. Rodrigo de
Moura Teles e a Quinta do Miranda que, no mesmo século,
pertencia a D. Gil Vaz Lobo e acabou por ter o nome de Quinta
do Mendes, no Século XX.
Além destas, muitas outras existiram,
restando-nos hoje a Quinta dos Pombais, onde residem ainda
os seus proprietários. É desejável que
estas quintas se conservem, pois são um testemunho
do nosso passado.
O nome desta terra, ligou-o o povo
ao rei Lavrador. É da tradição oral que
o monarca saía muitas vezes, à noite, tentando
não ser notado, para vir ao seu Real Mosteiro. A Santa
Rainha, porém, sempre silenciosa mas atenta, reagiu
com sabedoria e discrição. Certa noite, na companhia
de suas damas, veio até ao Lumiar e pararam, de archotes
acesos, num sítio onde sabiam que o rei costumava passar,
a fim de lhe "alumiarem" o caminho. Daí veio
o nome de "Lumiar", mas também o nome de
"Odivelas" porque Dona Isabel, sempre generosa e
condescendente, disse a seu Real Esposo, quando passou junto
dela - "Ide vê-las". E, daqui, se formou o
nome - Odivelas.
Em relação a estas histórias
brejeiras sobre este nosso Rei, nenhum historiador ou cronista
nos dá indícios de terem existido fatos que
as fundamentem. D. Dinis, sedutor e galanteador como poucos,
o que é confirmado pelas suas "cantigas de amigo",
manteve relações amorosas com várias
"damas da nobreza" e os seus nomes e famílias
são referidos nos documentos e nos textos dos historiadores,
mas nenhuma dessas senhoras viveu em Odivelas.
Os linguistas justificam doutra forma
o nome desta cidade, dizendo que veio do árabe "uadi-bélaa".
Esta expressão, traduzida para português, significa
"rio da Ola", ou rio do remoinho, em linguagem mais
simples.
Quanto à sua evolução
administrativa, a Freguesia de Odivelas, antes de 1852, pertencia
ao 4º. Bairro de Lisboa, passando de seguida ao Concelho
de Belém. Com a extinção deste, Odivelas
fica anexada à Freguesia da Póvoa de Santo Adrião
de 28 de julho a outubro de 1886.
Odivelas foi elevada a vila a 3 de abril de 1964 e a cidade
em 13 de julho de 1990. É sede de concelho desde novembro
de 1998.
O seu orago é o Santíssimo
Nome de Jesus.
Bibliografia: "Odivelas
Uma Viagem ao Passado" de Maria Máxima Vaz
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