| Às portas de
Carriche e ao longo da Estrada Nacional n.º 8. estende-se
o casario de Olival Basto, cujo nome deve aos ricos olivais
que aqui existiram e dos quais restam algumas centenas de
oliveiras, na encosta que vai do Senhor Roubado até ao Vale
do Forno. Provenientes de todos os lados, os "malteses",
homens e mulheres, vinham para a apanha da azeitona, aos quais
na época se dava o nome de "malteses".
Para quem se dirige a Lisboa, esta
é uma das entradas e aqui existem algumas construções,
restos de um pequeno núcleo que se formou, provavelmente,
junto ao posto de cobranças das antigas portagens (constituídas
entre 1900 e 1902, eram a última fronteira para demarcar
o Concelho de Loures). Para transpô-las era necessário pagar
uma taxa que vigorou até 1930, sensivelmente. Pelas encostas,
à esquerda e à direita, as muralhas do século
XIX assinalam os limites de Lisboa. O traçado das modernas
vias sacrificou alguns antigos edifícios deste núcleo
e as primeiras casas das antigas vilas.
Situado na fronteira de dois concelhos,
foi o local escolhido para estação de muda -
a Malaposta. A diligência que transportava o correio
parava aqui para descanso do pessoal e muda dos animais que
a puxavam. Os novos cavalos atrelados à diligência,
por estarem folgados, garantiam a velocidade que se desejava,
para uma comunicação rápida.
Após ligeiras obras de adaptação, o edifício
da Malaposta passou, mais tarde, a matadouro municipal. Após
o seu encerramento, o edifício ficou votado ao abandono, por
largos anos, o que o degradou bastante.
Na década de oitenta projetou-se
para aqui um teatro, obras que se desenvolveram tendo em conta
uma proposta cultural que incluía as áreas de
produção e formação teatral e,
ainda, de animação cultural. O edifício
ficou concluído e, no ano de 1989, iniciaram-se as
Atividades que, até hoje, se têm vindo a realizar.
A construção é formada por três
corpos dispostos em "U", recuperados do primitivo
edifício, tendo-se acrescentado o palco e alguns anexos.
Localiza-se na Rua Angola, ao longo da qual se estendem as
vilas que vieram a ser construídas em Olival Basto.
A revolução industrial,
no século XIX, trouxe à cidade de Lisboa, muitas
famílias provenientes de todos os pontos do país.
Albergar essas famílias, numa cidade sem estruturas
para isso, constituiu um grande problema, uma das vertentes
da questão social, que se estendeu até aos dias
hoje. A solução de emergência foi abrir,
a muitas dessas famílias, as portas dos velhos palácios
desabitados há vários anos e em adiantado estado
de degradação. Eram os chamados pátios,
de que temos inúmeros exemplos, em Lisboa, como o caso
de Marvila.
Posteriormente, construiu-se habitação
social - as vilas - geralmente em regime de mono-habitação,
bairros de casas, por sistema, todas iguais, umas vezes só
de um piso, outras vezes de um piso térreo e primeiro
andar. Temos, também, exemplos em Lisboa, como é
o caso das vilas da Graça, da vila Grandela, do Cabrinha,
em Alcântara e tantas outras.
Se Caneças é a terra
das fontes, Olival Basto é a freguesia das vilas. Por
ficar à beira da capital e ser daqui mais fácil
a deslocação para o trabalho, construíram-se,
com acesso pela Rua Angola, única do primitivo aglomerado,
cinco vilas: Vila Carinhas; Vila Gordicho; Vila Amália;
Vila Jorge; Vila Ribeiro. Nem todas seriam destinadas a operários
fabris. Devido à grande Atividade agrícola na lezíria, nomeadamente
na Quinta da Várzea, muitos trabalhadores rurais terão habitado
algumas das casas destas vilas.
A Quinta da Várzea, no leito
das cheias da Ribeira da Póvoa, de solo ubérrimos,
produzia hortaliça em abundância, na sua quase
totalidade consumida em Lisboa. Hoje, faz parte da Reserva
Agrícola Nacional e nela têm vindo a surgir construções
que já formam um bairro de génese ilegal.
Quanto à sua evolução
administrativa, a Freguesia de Olival Basto, território
desanexado da Freguesia da Póvoa de Santo Adrião,
foi criada no dia 30 de junho de 1989, e elevada à
categoria de vila no dia 4 de junho de 1997.
O seu orago é a Nossa Senhora
de Fátima.
Bibliografia: "Odivelas
Uma Viagem ao Passado" de Maria Máxima Vaz
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