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Lenda da Fundação do Mosteiro de Odivelas

Também o rei D. Dinis terá contado uma história, que se aproxima da lenda.

Essa história pretendeu justificar a fundação do Mosteiro de S. Dinis e S. Bernardo, e é assim:

Andando El-Rei D. Dinis à caça no distrito de Beja , no sítio de Belmonte, perdeu-se dos companheiros e foi atacado por um corpulento urso que o derrubou do cavalo e o segurou entre as patas. Vendo o Rei que o animal lhe tiraria a vida, pediu a proteção de S. Luís, bispo de Tolosa e prometeu construir um mosteiro se o Santo bispo o salvasse daquele perigo. S. Luís logo lhe apareceu, dizendo-lhe que matasse a fera com o punhal que tinha à cintura, o que o rei fez de imediato. Para agradecer a proteção do Santo, mandou edificar em Odivelas o Mosteiro de S. Dinis, que ainda hoje existe.

Topónimo de Caneças

Conta-se que andando El-Rei D. Dinis à caça, terá passado nesta povoação, onde pediu que lhe dessem água para matar a sede. Uma mulher da terra, trouxe-lhe uma caneca de fresca água de nascente, que o rei apreciou muito. Como gratidão por este gesto da mulher, quis o monarca que a terra se ficasse a chamar Caneca. Só mais tarde é que passou para Caneças.

Topónimo de Odivelas

Conta-se que El-Rei D. Dinis se escapava sorrateiramente do Paço Real de Lisboa para, pela calada da noite, a coberto da escuridão, vir até Odivelas, onde viveriam damas nobres gentis e amorosas. A Santa Rainha, sempre atenta, embora silenciosa, pensou na melhor forma de mostrar a seu Real Esposo que dava conta das suas ausências e sabia perfeitamente a razão das suas aventuras noturnas. Decidiu pedir o auxílio de algumas damas da Corte para a acompanharem até ao Lumiar, na altura ainda deserto.

Preparam alguns archotes e vieram colocar-se no ponto onde o rei tinha forçosamente de passar, pois o seu destino era Odivelas.

No momento em que passou junto da Rainha, ela dirigiu-se-lhe nestes termos:

"- Ide vê-las. Nós alumiamos o vosso caminho."

Diz o povo que por isso é que o Lumiar tem esse nome, e que de ide vê-las se formou o nome de Odivelas.

Personagens que passaram pelo território do Concelho de Odivelas

Caneças

Aqui nasceu em maio de 1883 o pintor Artur Alves Cardoso, bolseiro do Estado Português em Paris e Roma. Deixou uma vasta obra em Portugal e no estrangeiro, sendo de referir as pinturas do teto da Sala de Sessões da Assembleia da República, executadas entre 1921 e 1924;


Em Caneças, no Lugar d’Além, esteve algum tempo, por volta do ano de 1886, Cesário Verde, na esperança de se curar, graças aos bons ares e boas águas desta região.

Odivelas

El-Rei D. Dinis, lança a primeira pedra do Mosteiro de Odivelas, em 1295.


Aqui residiu Francisco António Carlos Ribeiro, o qual, na década de vinte, do passado século, descobriu cinco dólmens em Trigache e A-da-Beja. Deles nos deixou fotografias, plantas e descrições, além do abundante espólio que deles recolheu e catalogou. Estes materiais estão depositados no Museu Geológico;


No Mosteiro de Odivelas viveu a Rainha D. Filipa de Lencastre, esposa de D. João I, Senhora de grande cultura. Traduziu textos sagrados, de francês para português e foi autora de pareceres, que lhe foram solicitados pela Corte. Foi também no Mosteiro de Odivelas, que em 1414, antes do embarque da expedição de Ceuta, que abençoou os seus três filhos mais velhos, entregando-lhes, com sábias recomendações, as espadas que tinha mandado fazer.


No século XVI, a Abadessa D. Violante Cabral, encomendou um Auto a Mestre Gil Vicente. A obra veio a ser o Auto da Cananeia, encenado em 1534 pelo próprio autor, na Igreja do Mosteiro de S. Dinis;


O Padre António Vieira fez um dos seus sermões no Mosteiro de Odivelas, a 22 de junho em 1668.


A figura de João Mínimo, inventada por Almeida Garrett e apresentada por ele como autor da sua lírica, era natural de Odivelas, diz o escritor;


Em Odivelas viveu o pintor António Lino. Distinguiu-se acima de tudo no mosaico e no vitral, sendo notáveis os vitrais que executou para o Paço dos Duques de Bragança , em Guimarães. Também na tapeçaria deixou excelentes trabalhos entre os quais uma alegoria de Lisboa, propriedade da Câmara Municipal.

Pontinha

Na Quinta da Azenha Velha viveu o escritor António Feliciano de Castilho, quando jovem estudante, deslocando-se diariamente para o Lumiar, onde frequentava uma colegiada.

Póvoa de Sto. Adrião

O pintor Pedro Alexandrino de Carvalho (1729-1810), foi proprietário de uma das quintas da Póvoa de Santo Adrião. Não só deixou algumas obras na Igreja Matriz desta localidade, como as espalhou por Lisboa - na Sé, no Palácio de Queluz, no Museu dos Coches, e pelo resto do país. Em 1785, Pina Manique nomeou-o um dos diretores da Academia do Nu, o que atesta o seu valor de artista.

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