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O que é a Toxoplasmose?
A toxoplasmose é uma doença causada por um protozoário, Toxoplasma gondii, que pode afetar praticamente qualquer animal de sangue quente, incluindo o Homem.
Na mulher grávida, a toxoplasmose pode atingir o feto causando defeitos congénitos ou mesmo aborto.
Nas pessoas com imunodeficiência, como por exemplo as infetadas pelo vírus da SIDA, ou as que efetuam quimioterapia, a infeção por Toxoplasma tem geralmente graves consequências, podendo mesmo causar a morte.
Qual o verdadeiro papel do gato na sua transmissão?
Está provado por diversos estudos científicos que as pessoas podem mais facilmente infetar-se ingerindo carne mal passada, fruta ou saladas mal lavadas, do que por estarem em contacto com gatos. Os Veterinários e os donos de gatos não têm maior incidência da doença do que o resto da população.
É pouco provável ser contagiado apenas por acariciar um gato, mesmo se este estiver infetado.
O gato é o único hospedeiro definitivo do protozoário. Quer isto dizer que é o único animal que elimina os oocistos (forma infestante de Toxoplasma) nas fezes. No entanto, estes só se tornam infestantes após 1 a 5 dias de permanência no ambiente, o que é de extrema importância na prevenção da doença, como veremos adiante.
Os oocistos não se agarram ao pêlo tão firmemente como os ovos de vermes intestinais. Durante a sua lavagem e higiene, a língua do gato é suficientemente potente para os remover.
O contágio através de dentadas ou arranhões de gatos é raro ou mesmo inexistente. Apesar de todas estas indicações estarem cientificamente provadas, é prática comum induzir as mulheres grávidas a abdicar da companhia dos seus gatos, ou mesmo aconselhá-las a não os ter.
Quais os sintomas na grávida e consequências no feto?
A maioria das grávidas infetadas não apresenta sintomas muito mais notórios do que uma gripe ligeira. Em 60% dos casos a infeção é transmitida ao feto por via uterina. Se esta ocorre entre as 10 e as 24 semanas de gestação, a criança pode nascer com defeitos congénitos graves ou mortais, como hidrocéfalo (“líquido no cérebro”), cegueira e atraso mental.
Mulheres grávidas e pessoas com deficiência de imunidade, como por exemplo, os portadores do vírus da SIDA, não devem limpar a caixa da “litter”.
Como diagnosticar a doença nos animais de estimação?
A quantificação dos anticorpos anti-Toxoplasma no sangue é o melhor método para diagnosticar a doença. Por vezes podem encontrar-se oocistos nas fezes, mas são semelhantes a ovos de outros parasitas, pelo que não é um método fiável de diagnóstico. Para além disso, os gatos eliminam oocistos por um curto período de tempo (2 a 3 semanas) e geralmente não os estão a eliminar quando manifestam sinais de doença
Como interpretar os resultados dos testes efetuados aos gatos?
Por muito estranho que possa parecer, é preferível um gato saudável ter uma titulação positiva de anticorpos à Toxoplasmose do que negativa. Isto significa que esteve exposto à doença e desenvolveu anticorpos contra ela, o que funciona como uma espécie de vacina, impedindo-o de voltar a ser infetado pelo protozoário. Cerca de metade da população de gatos foi infetada e desenvolveu imunidade que dura até 6 anos. Se a titulação de anticorpos for negativa, não têm proteção contra a doença e podem vir a ser infetados.
Em resumo
Pelo fato de estar grávida e possuir um gato, não significa que venha a correr riscos de contrair Toxoplasmose.
A probabilidade aumenta para níveis preocupantes se estiver habituada a comer carne mal passada ou se descurar a lavagem das saladas e frutos.
Como medida elementar de prevenção, abstenha-se de limpar as areias higiénicas do seu gato e ingira apenas carne bem passada, beba leite pasteurizado e coma fruta e saladas muito bem lavadas.
Como evitar a doença?
Não ingerir carne crua ou mal passada. A carne deve ser cozinhada a uma temperatura de pelo menos 70 º durante 20 minutos.
Beber leite pasteurizado.
Não comer frutos e vegetais mal lavados.
Lavar as mãos e as superfícies de corte de carne com água quente e sabão, depois de manusear carne crua.
Usar luvas para fazer jardinagem; lavar as mãos depois de tratar do jardim.
Lavar as mãos antes de comer.
Não permitir que os gatos utilizem a areia dos parques infantis e as áreas ajardinadas como um espaço sanitário.
Não beber água da natureza.
Não alimentar os gatos com carne crua ou mal passada. Não lhes dar leite sem ser pasteurizado.
Não deixar que os gatos andem à caça de ratos ou outros animais.
Remover as fezes diariamente da caixa de “cat-litter” e limpá-la com água fervente.
Controlar a população de ratos e outros potenciais hospedeiros intermediários.