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O Memorial, também conhecido por “Cruzeiro”, situa-se no centro histórico de Odivelas, no local que foi a entrada do velho burgo e constitui uma das obras mais interessantes do Gótico em Portugal. Fica localizado a escassos duzentos metros do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo, orientado no sentido Sudoeste-Nordeste, uma das faces voltadas para Lisboa, outra para o Mosteiro.
Monumento da época diocesana, é construído em calcário lioz, extraído das pedreiras de Trigache, em Famões. Compõe-se de três partes essenciais: base, dupla arcaria sobreposta e coroamento, organizadas em duas faces dominadas pela verticalidade. Na face Noroeste, o escudo português medieval, usado na Armaria até ao reinado de D. Fernando. Remata o monumento uma cruz, constituída por quatro semicírculos, formando um florão, semelhante a outros que aparecem em monumentos portugueses do século XIV.
A incerteza mantém-se quanto à sua origem e significado, pois as explicações dividem-se entre ter sido erguido para nele repousar o corpo de D. Dinis, falecido em 1325, no caminho que o levaria à igreja do Mosteiro de São Dinis e São Bernardo, onde o seu túmulo o esperava, ou para D. João I ao ser transportado de Lisboa para o Mosteiro da Batalha, em 1433. Outra teoria aponta para a possibilidade de ser um padrão de couto, demarcando os limites territoriais na área jurisdicional do Mosteiro, ou um local de portagem, tendo objetivos fiscais de cobrança do imposto de barreira da coutada.
Em junho de 2022 foi concluída a intervenção de conservação e restauro do Memorial de Odivelas. Os trabalhos focaram-se na salvaguarda do monumento, com vista a proteger a sua integridade física e material, devolvendo-lhe a dignidade estética e promovendo a conservação deste património e a prevalência da sua originalidade. Para maior destaque e embelezamento foram colocados focos de iluminação noturna.
É Monumento Nacional por Decreto de 16/06/1910 e Lei nº 50 de 01/03/1955.
Largo da Memória, Odivelas.